sexta-feira, 21 de março de 2014

Procrastinação estruturada: será?


Procrastinar é deixar para fazer depois o que você poderia (ou deveria) fazer agora. Um mal do qual diversas pessoas padecem. Em um mundo veloz e que precisa de soluções, é complicado ficar parado, deixando o que precisa ser feito pra depois. Entretanto, tem gente com perspectivas diferentes por aí.

John Perry é Professor Emérito de Filosofia pela Universidade de Stanford e o escritor do livro The Art of Procrastination. Procrastinador confesso, Perry desenvolveu uma teoria em que considera que procrastinar é um estilo de vida. E, por isso, o costume não é passível de ser superado com facilidade. Mas sua teoria não é fatalista. Ele acredita que é possível ser um realizador, ainda que procrastinador. Basta apenas conseguir gerenciar várias tarefas ao mesmo tempo.

Definição, segundo o autor:

"Procrastinação estruturada significa moldar a estrutura das tarefas a serem realizadas de uma forma a explorar este fato. A lista de tarefas que temos em mente serão ordenados por importância. Tarefas que parecem mais urgentes e importantes ficam no topo. Mas também existem tarefas que valem a pena ser executadas mais para baixo na lista. Realizar essas tarefas torna-se uma forma de não fazer as tarefas mais acima na lista. Com essa estrutura, o procrastinador torna-se um cidadão útil. De fato, o procrastinador pode até mesmo adquirir, como eu tenho, uma reputação de fazer muita coisa."

Explico: segundo Perry, o modus operandi do procrastinador é tentar reduzir o que precisa fazer para que, tendo menos responsabilidades, consiga realizar ao menos algumas tarefas. O problema é que as tarefas que ficam após essa triagem são provavelmente as mais importantes, deixando-o duas opções: ou realizá-las, ou não fazer nada. Por outro lado, se você tem uma lista com tarefas, mesmo que evite as mais importantes, acabará fazendo várias outras, inclusive, para evitar as mais importantes.

Um furo nessa proposta, que o próprio autor admite, é: "mas e as tarefas mais importantes, quando serão realizadas?".

A questão é escolher tarefas importantes com dois critérios:
- aquelas que parecem ter um deadline claro (mas não têm); e
- aqueles que parecem ser muito importantes (mas não são).

Mais uma vez, o autor admite que há um furo na sua teoria, ainda assim sem jogar a toalha. Afinal, se você precisa escolher tarefas importantes, mas que não são tão importantes assim (e você sabe disso), sua capacidade de auto-engano tem que estar bem exercitada. Segundo ele, isso não é um problema para procrastinadores, mestres na arte do auto-engano.

Será que cola?

Fonte: Structured Procrastination.

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